Food Journeys | Between sea and land
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11 May Between sea and land

Roughed by time and scorched by the sun, decayed and aged by the persistency of the everlasting tides, here lies an elderly fishing port, tired, wrinkled, punctuated by a long silver beard and grey watery eyes.

For decades that its skyscraper legs and crackling torso bear the weary load of fishermen’s feet, semi-shredded ropes and improvised buoys, granting the access to boats, even during low tide, over the mudflats.

It’s a mystical space, a border between the toil at sea and the ploughing of the land, a stilted pier submerged in ancient wisdom and practical know-how, with pathways patch worked by wooden boards and humble sheds that safeguard a daily bread way of living.

When I stood still on one of those ramshackle boards for the first time, listening to the soft sound of the estuary waves coming and going, I had this schizophrenic feeling of eternity intermingled with the inconstancy and fickleness.

The freshness of the moist air climbed through my sleeves and made me shiver a little, but my eyes just kept gazing at the amazing hues of maritime inspiration that every plank and boat breathed out. Layer of paint above layer of paint, new trying to erase the old, gayness surpassing exhaustion, texture resisting texture.

Everywhere I saw the iridescence of fish scales and oysters shells – turquoise against turquoise, silver against grey, white against silence -, a confluence of structures born out of the necessity of men and women with the rhythmic movement of Sado River, driven into a natural reserve, deepened till the knees, stuck there for the times to come.

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Entre o mar e a terra

 

Desbastado pelo tempo e causticado pelo sol, enfraquecido e envelhecido pela persistência das marés perpétuas, aqui repousa um ancião porto de pesca, cansado, enrugado, pontuado por barba cor de prata e olhos cor de água.

Há décadas que as suas pernas-arranha-céus e o seu torso rabugento carregam o peso fatigado dos pés de pescadores, cordas gastas e boias improvisadas, garantindo o acesso aos barcos, mesmo durante a maré-baixa, sobre os lodaçais.

É um lugar místico, uma fronteira entre a faina no mar e o trabalho na terra, um cais palafítico submergido na sabedoria dos antigos e na praticidade do saber-fazer, com caminhos retalhados por tábuas de madeira e modestas arrecadações que salvaguardam um pão-nosso-de-cada-dia que faz sobreviver.

Quando, pela primeira vez, coloquei os pés sobre estas tábuas periclitantes e aí fiquei por alguns minutos, ouvindo o som macio do vai e vem das ondas do estuário, tive um sentimento esquizofrénico de eternidade permeada por inconstância e volubilidade.

A frescura do ar húmido trepou por entre as minhas mangas e fez-me estremecer um pouco, mas o meu olhar não foi perturbado, mergulhado que estava nos matizes marinhos que cada prancha e barco expiravam. Camada de tinta sobre camada de tinta, o novo a tentar apagar o velho, a alegria a ultrapassar a exaustão, textura contra textura.

Em todo o lado, vi reflectida a iridescência das escamas dos peixes e das conchas das ostras – turquesa contra turquesa, prata contra cinza, branco contra silêncio -, a confluência de estruturas nascidas da necessidade de homens e mulheres com o movimento rítmico do rio Sado, cravada em reserva natural, enterrada até aos joelhos, atolada para os tempos que hão de vir.

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Mrs. S
s.l.lourenco@sapo.pt
4 Comments
  • Ondina Maria
    Posted at 12:00h, 12 May Reply

    Adoro as cores das fotos, parece mesmo que estou aí :)

    • Mrs. S
      Posted at 23:21h, 13 May Reply

      Olá Ondina! Que bom ver que regressas para ver e ler os nossos posts! Ficamos mesmo muito contentes! Obrigada! Sim, as cores deste sítio são fabulosas, bem como as texturas e a envolvente. Adoramos. Vamos lá repetidas vezes :-)

  • Jeanne Horak-Druiff
    Posted at 15:37h, 12 May Reply

    Oh – you were in the Alentejo!! Love that part of Portugal :)) spectacular images, as always :)

    • Mrs. S
      Posted at 23:18h, 13 May Reply

      Thank you! We love that part of the country too 😀 The food is awesome – arroz de lingueirão :-d is my favourite -, the scenery is breathtaking and I can still remember the day I was laying on the sand of a local beach, breathing in the horizon, when suddenly a group of dolphins emerged against the backdrop! Wow!

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